Posted by : Igor Vasc julho 13, 2013

Para muitos, o anúncio da adaptação d’O Hobbit para as telas de cinema soou como uma excitante oportunidade de revisitar a Terra Média, seus heróis fantásticos e suas aventuras bem entrelaçadas. A verdade é que, em suas mais de duas horas de duração, o filme tem suscitado diferentes reações e está longe de ser uma unanimidade entre os fãs e crítica especializada.

man 

Após um epílogo muito bem feito e conciso que contextualiza e introduz a estória com competência, os atos do filme dividem os espectadores: se por um lado agradam aos fãs mais conservadores de Tolkien por sua fidelidade ao texto original, por outro demandam uma paciência élfica dos cinéfilos menos iniciados no universo do escritor. De ambos os lados, as críticas mais comuns ao trabalho de Peter Jackson têm sido a ausência de intensidade no desenvolvimento do roteiro (que não imprime o menor senso de urgência), a aparente falta de realismo nos enfrentamentos (com montagens ligeiras, sem peso dramático) e a falta de concisão em algumas cenas, que brindam os olhos em detrimento da boa narrativa.

The-hobbit-beorn

Nem tudo é problema nesta produção que consumiu 14 meses e mais de 1 bilhão de reais. Os elogios sobram no que tange à interação entre as personagens, ao tom bem-humorado do filme e ao revestimento estético. Mas vamos por partes. O valente e corajoso Bilbo, que definitivamente não é Frodo, até conduz a aventura com algum carisma - seus momentos de dúvida são leves e suas crises menos existenciais. 

Ao lado do eternamente sábio Gandalf e do sereno e determinado Thorin Escudo de Carvalho, o hobbit interage de forma interessante com os outros doze anões que, infantis, mal-humorados e comilões, se esforçam mas não conseguem nos trazer risadas sinceras. Nosso pequeno grande protagonista dialoga ainda com o complexo e carismático Gollum (mais uma vez brilhantemente interpretado por Andy Serki) e enfrenta as já conhecidas e agora ainda mais horrendas raças “do contra”.

 

Apesar de bem-vindo, o bom humor predominante chega a perigosamente eclipsar a racionalidade combativa, em certos momentos. Alguns fãs com certeza se perguntaram: com base em que critérios Thorin escolheu anões tão atrapalhados para suas missões? por que alguns deles estão armados com estilingues!? por que em diversos momentos Gandalf apenas sorri quando normalmente usaria poderes especiais para escapar de perigos? por que, não apenas uma única vez, nossos heróis se deixam encurralar? 

Deixando de lado as incongruências de um roteiro mal calculado e marcado por claros interesses comerciais, deve-se reconhecer que o trabalho visual do filme é um espetáculo à parte. Os fãs podem conferir uma excepcional direção de arte e fotografia, que nos remete à reconfortante Valfenda e ao pitoresco Condado, o zelo com o cenário, o competente uso da técnica do green screen, a riqueza extrema de detalhes e os efeitos especiais de altíssima qualidade, elementos que justificam as várias promessas de indicação ao Oscar. 

Se formos comparar... 

Até agora falamos do filme como peça cinematográfica isolada. Apesar de ser uma estória diferente da trilogia O Senhor dos Anéis, O Hobbit se utiliza das mesmas personagens e foi adaptado pelo mesmo diretor. Talvez por isso venham sendo tão frequentes as comparações entre as duas produções, que carregam mais diferenças que semelhanças entre si.

o-senhor-dos-aneis-filme-facebook

Se na trilogia os acontecimentos eram sempre sérios e catastróficos, n’O Hobbit temos uma estória leve, divertida e cômica. O ritmo de alternância entre as cenas também revela outra grande diferença: se antes os intervalos eram frequentes, como que para administrar a tensão inerente à trama, nesta produção o que se vê são cenas mais contínuas e mais detalhadas. 

Psicologicamente mais longo e cronologicamente meia hora mais curto que os filmes da trilogia, O Hobbit representa a audácia de um diretor que, após ter transformado três grandiosos livros em três longa metragens de extremo sucesso, agora dilui uma única obra em três filmes. Acompanhar O Hobbit com os olhos do passado implica na satisfação de reencontrar o universo mítico de Tolkien, mas se desapontar com a falta daquilo que um dia transbordava: os geniais insights de criatividade, o poder de inovação das personagens diante dos desafios e a autenticidade de cada gesto e palavra.

tlotr2

Parecer final

Apesar das possíveis incoerências e críticas que se possa apontar, o que temos à vista é um filme agradável (um pouco sonolento, é verdade), excelente como adaptação e seguramente impecável do ponto de vista técnico. Ao combinar as oportunidades de revisitar os lugares e personagens extraordinários de Tolkien e de testemunhar em primeira mão o novo patamar gráfico proporcionado pela tecnologia 3D HFR, O Hobbit com certeza vale muito mais que o preço do ingresso.

Leave a Reply

Subscribe to Posts | Subscribe to Comments

- Copyright © Cafundó | Cultura Pop, Geek, Tecnologia e Humor - Date A Live - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan -