Posted by : JSonMac julho 10, 2013

Com o novo filme estreando no Brasil nesta sexta-feria, relembramos neste artigo a evolução da imagem do primeiro e mais popular super-herói da história.

Entretenimento



Logo que saiu o anúncio dizendo que o novo filme do Superman traria algumas mudanças, muitos fãs mais fervorosos não pouparam nas reclamações. Vários foram os motivos, desde a estatura do ator escolhido às mudanças no uniforme, sendo a extinção do famoso cuecão vermelho por cima da calça uma das mais polêmicas. Aproveitando a onda da estréia de O Homem de Aço em todo o Brasil na próxima sexta, dia 12/07, vamos relembrar que a evolução na imagem do Superman não é algo novo, e que não só os quadrinhos influenciaram as adaptações para cinema e tv como também o contrário aconteceu.

É um pássaro? É um avião? Não, é o Super-Tiozão!

A revista Action Comics #1 foi publicada em junho de 1938 e estampava em sua capa um personagem que faria história: o Superman! Este momento é considerado o marco do início da era dos super-heróis nos quadrinhos, ou seja, personagens com poderes fantásticos e sobre-humanos que lutam contra o mal para salvar os cidadãos e, algumas vezes, o planeta.
O Superman nessa época era bem diferente do que conhecemos, não apenas por seus poderes, que ainda não eram tão "super", mas também pela maneira que era retratado: um senhor no alto de seus quarenta e poucos anos, de estatura mediana e porte nem tão atlético assim.

A primeira série de TV do personagem foi estrelada por George Reeves, que possuía uma semelhança muito grande com o azulão dos quadrinhos na época. Adventures of Superman foi ao ar entre 1952 e 1958, alçando a popularidade de Reeves às alturas.
Também houveram séries de animação que adaptavam o personagem, mas sempre seguindo o mesmo estilo da época... até que um filme, ou melhor, um ator mudou tudo isso.

Supe-Homem: O filme

Superman: The Movie (no Brasil Super-Homem: o filme) chegou aos cinemas do mundo em 1978. Dirigido por Richard Donner, o longa é até hoje considerado uma das melhores adaptações de quadrinhos ao cinema e ainda é cultuado como a melhor personificação do personagem por muitos fãs. Muito disso se deve ao carisma e atuação de Christopher Reeve, que ainda voltou ao papel em mais três sequências, as quais não tiveram tanto sucesso como o original.
Reeve foi a escolha final de um casting que contava com vários nomes famosos na época, como Robert Redford, Clint Eastwood, Burt Reynolds, Nick Nolte e até mesmo Dustin Hoffmann!
   
Claro que você deve estar pensando que alguns desses atores citados não tem nada a ver com o Superman que conhecemos, mas se pensar bem na imagem do tiozão de quarenta e poucos anos que se tinha em mente na época vai entender por que eles foram cogitados. O sucesso de Reeve no papel foi tanto que algo muito interessante aconteceu: os desenhistas dos quadrinhos começaram a se inspirar na imagem do ator para caracterizar o personagem nas páginas de sua revista mensal. A partir de então Superman passou a ser mais novo, mais alto (Chris Reeve tinha 1,93m de altura) e de porte bem mais atlético. Confira a comparação abaixo.


Tentando resgatar o sucesso

Com o passar dos anos, a DC Comics fez várias tentativas de novas adaptações do azulão. Após as sequencias pouco inspiradas do filme de 1978, o jeito foi voltar para a tv, com séries de animação tanto solo como em grupo, mas que apenas seguiram o padrão de desenho baseado na figura de Reeve, além de pouquíssimas alterações no uniforme e símbolo no peito do herói.
Após algumas tentativas vergonhosas uma nova série de tv em live-action começou a ser produzida: Lois & Clark: The New Adventures of Superman. A proposta era dar mais destaque a relação entre Clark e Lois do que na ação propriamente dita, e isso ficava bastante evidente nos (d)efeitos especiais da série, resultado do orçamento enxuto. Superman/Clark Kent era vivido por Dean Cain, ex-jogador de futebol americano que não tinha muito talento para artes dramáticas. 

O programa permaneceu no ar de setembro de 1993 a junho de 1997 e, mesmo com tantos problemas e falta de fidelidade aos quadrinhos, conseguiu deixar sua marca e influência através da personagem de Lois Lane. Teri Hatcher, que foi mais recentemente vista na telessérie Desperate Housewives, deu novos ares a repórter mais sagaz do Planeta Diário. Alguns desenhistas chegaram a copiar seu corte de cabelo e estilo de roupas nas histórias do Super editadas durante meados dos anos noventa.

A volta por cima do último filho de kripton na tv só viria em 2001, com a super produção da Warner Channel, Smallville (que no Brasil recebeu o infame subtítulo As Aventuras do Superboy). Levando o nome da cidadezinha no Kansas onde Clark passa sua infância e juventude, a série tenta mostrar os primeiros anos do herói ainda em formação, a descoberta de seus poderes e seu relacionamento com os pais adotivos Jonathan e Martha Kent, além do encontro com vários outros personagens clássicos da DC Comics. Tom Welling viveu esta versão mais nova do Super e desde o início sua semelhança com o biotipo eternizado por Christopher Reeve é notável.

Smallville teve dez temporadas e podemos dizer que cambaleou um pouco em seus últimos anos, principalmente por atrasar a transformação definitiva de Clark em Superman até a última hora, causando a frustração de muitos fãs. O fato de que no último episódio Welling nem sequer veste a roupa clássica chega a ser algo deprimente.
No balanço final, Smallville ainda possui mais pontos positivos que negativos e serviu de base para a introdução de vários outros personagens da editora, funcionando como um laboratório experimental para a DC. Particularmente, ainda sou mais a série do que a cine-homenagem que veremos a seguir.

Super-homenagem! Só que não...

A Warner nunca desistiu completamente de fazer um novo filme do azulão. Muitas produções iniciaram, equipes foram contratadas, casts foram montados, mas de última hora o projeto era abortado devido às mais diversas razões. Até um filme tendo Tim Burton na direção e estrelado por Nicolas Cage (hein?!) que teria estreado em 1998 foi iniciado. Reza a lenda que a Warner já havia gasto mais de US$ 50 milhões na pré-produção e acabou cancelando os trabalhos, impulsionada principalmente pelo fiasco cinematográfico chamado Batman and Robin.
Depois de mais algumas tentativas frustradas de novos projetos, finalmente estreou em 2006 (no auge da popularidade de Smallville) o longa Superman Returns, com direção de Bryan Singer (X-men I e II) e estrelado pelo desconhecido Brandon Routh. Desta vez não tinha como errar (pelo menos foi o que a Warner pensou): o filme tinha como objetivo ser uma continuação dos filmes clássicos de Richard Donner. O próprio Routh foi escalado principalmente por sua semelhança com Chris Reeve. O tema clássico de John Williams foi remasterizado e soaria novamente, agora para uma nova geração de fãs.

Tudo seria perfeito... a não ser pelo que deu errado. Routh se mostrou um dos mais apáticos protagonistas a vestir a clássica capa vermelha, demonstrando uma falta completa de carisma e personalidade. Além disso, a Lois Lane de Kate Bosworth tem uma expressão aflita de constipação constante, o que talvez seja a ideia que a atriz, na época com 23 anos, tinha de como uma repórter profissional já com seus 30 e poucos devesse parecer e agir. Alie a isso uma direção sem personalidade e ação monótona, resultando em um filme com muito potencial mas que não faz jus ao personagem. Nem a atuação competente de Kevin Spacey como Lex Luthor salva o longa de ser classificado como mediano.
Uma vez que o revival ao clássico de 78 não saiu como o esperado talvez fosse a hora de aplicar a fórmula que deu muito certo com outro personagem da DC, um cara meio maluco que se veste de morcego e sai pelas ruas a noite combatendo o crime...

Uma nova fase, um novo Superman

Em setembro de 2011 a DC Comics resolveu reformular (novamente) todo o seu universo, zerando as edições de seus títulos e reiniciando tudo a partir do #1. Vários personagens tiveram suas origens e personalidades alteradas, e com o azulão não foi diferente.
Superman sempre foi conhecido pela sua honra e altruísmo, por colocar o bem estar dos outros acima de seu próprio e manter um senso moral inabalável. Nessa nova fase, conhecida como Os Novos 52 (referência aos 52 novos títulos mensais da editora) Clark ainda está formando seu caráter e se mostra muitas vezes impulsivo, até mesmo imaturo. No aspecto visual, seu uniforme foi alterado, excluindo a icônica cueca vermelha. Suas feições são de um jovem de 20 e poucos anos, mas ainda com muitos traços de Christopher Reeve.
Aproveitando esta reformulação a Warner inicia um novo projeto de um filme do Super, agora usando a mesma fórmula aplicada em sua outra franquia de sucesso, a trilogia O Cavaleiro das Trevas. Nas mãos de Christopher Nolan, Batman teve sua moral reerguida após fracassos de bilheteria. Em Batman Begins a ideia era recomeçar do zero, descartando tudo o que havia sido feito até então. Ao convidar Nolan para produzir o novo longa e entregar a direção a Zack Snyder (responsável pelas ótimas adaptações de 300 e Watchmen) o objetivo era exatamente o mesmo: um recomeço completamente novo. O resultado foi Man of Steel (no Brasil, O Homem de Aço)!
Partindo da ideia de um reboot, nada mais natural que utilizar referências do momento atual do herói nos quadrinhos, já na fase pós-Novos 52. Nota-se que o uniforme é praticamente o mesmo, com pouquíssimas diferenças. Além disso, Henry Cavill possui as características clássicas perpetuadas por Reeve: caucasiano, olhos azuis e queixo quadrado. Soma-se a isso a preocupação de Snyder de manter o porte físico de Cavill a altura do que se vê nos quadrinhos, o que deve ter custado ao ator algumas (várias) horas de academia.

O longa ainda altera alguns detalhes da origem clássica do herói, o que só reforça toda a questão de renovação que a Warner pretende dar a franquia (e da confiança que ela deposita na dupla Nolan-Snyder). Para aqueles que achavam que Superman Returns não teve ação o suficiente, preparem-se: em Man of Steel o pau come solto! A ação é frenética e digna de um filme baseado em quadrinhos. Do elenco de apoio os destaques são Russel Crowe (Jor-El), Michael Shannon (General Zod) e Amy Adams (Lois Lane).
O novo Superman é moderno na medida que precisa ser e acaba inovando sem descaracterizar o personagem. Cavill faz jus ao manto vermelho e atua com grande competência.

Para todos os fãs do Superman fica a dica para o próximo final de semana conferir a mais nova versão do herói, que finalmente estréia no Brasil, um mês depois dos EUA.










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